Sou uma apaixonada pelas coisas, pelas pessoas, pelo mundo....
Entrego-me de corpo e alma, dou-me sem medida de chegar, perco-me (…) encontro-me mais tarde desiludida, encharcada e corrosiva, coberta de nevoeiro, sem ponto de referência. E de nada vale encontrá-lo. De seguida tudo volta em turbilhão, de uma só vez, em demasia para este corpo que me leva a todo o lado, e lá estou eu novamente dada por completo a uma nova paixão, perdida, sem ponto de referência. Não se trata apenas de paixões. Essas acabam por se tornar serenamente amores que se instalam e permanecem toda uma vida.... São as coisas, o mundo, a vida. O escrever, o cantar, o compor arranjos florais, as conversas, as leituras, as pessoas na sua individualidade social.
Tenho lágrimas que vão caindo com as pequenas coisas do dia-a-dia.
Olhar uma pessoa e querer ajudá-la, tentar compreendê-la e não conseguir. Não falo de pedintes sem dinheiro, sem casa, sem nada. São pessoas normais, com emprego, filhos, casa, dinheiro, carro, férias,... mas sem alma, sem algo que defina, algum sinal positivo que as faça ser alguma coisa ou alguém.
Já não quero mudar o mundo, agora sou uma realista, todos devem ser como são porque só assim serão felizes... embora errantes peregrinos, por escolha própria.